11 expressões racistas contra pessoas asiáticas para você riscar do seu vocabulário – Hypeness

Desde o início de 2020, a pandemia de covid-19 escancarou a necessidade de debatermos sobre o racismo e a xenofobia contra pessoas amarelas — nativos ou descendentes de povos do leste da Ásia, como japoneses, chineses, coreanos e taiwaneses. Inúmeros casos de asiáticos sendo agredidos, maltratados e chamados de “corona vírus” nas ruas de todo o mundo vieram à tona, inclusive no Brasil, denunciando o preconceito ainda enraizado em nossa sociedade.
Por esse motivo, listamos onze termos de cunho discriminatório usados para se referir a pessoas amarelas que não devem ser ditos em hipótese alguma.
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Por mais óbvio que seja, ainda é preciso deixar claro que não, asiáticos não são todos iguais. Afirmar isso é a mesma coisa que apagar a identidade, a individualidade e os traços de personalidade de uma pessoa amarela. Além de ignorar a existência de mais de uma etnia e do fato de a Ásia ser um continente, e não um país único e homogêneo.
Utilizar termos como “xing ling” e “japa” para se referir a amarelos é o mesmo que dizer que todos eles são da mesma etnia asiática e que essa mesma etnia é a japonesa, respectivamente. Ainda que uma pessoa realmente seja descendente de japoneses, chamá-la dessa forma é ignorar seu nome e individualidade.
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Essa expressão, geralmente dita em forma de piada, é na verdade preconceituosa, podendo se encaixar dentro do conceito de “racismo recreativo”. De acordo com o professor Adilson Moreira, esse tipo de racismo utiliza um suposto bom humor como desculpa para ofender aqueles que não fazem parte do padrão estético e intelectual pertencente à branquitude.
As três expressões são usadas em situações escolares e acadêmicas, principalmente na época de vestibular em que estudantes competem por vagas na universidade. Elas transmitem a ideia de que asiáticos são excelentes alunos apenas por serem asiáticos e que esse é o motivo pelo qual ingressam facilmente na faculdade.
A crença nessa super inteligência é um dos principais estereótipos que compõem a minoria modelo, que descreve pessoas amarelas como estudiosas, gentis, dedicadas e passivas. O conceito foi criado e disseminado a partir da década de 1920 pelos Estados Unidos, interessado em despertar o sentimento coletivo de que a imigração japonesa aderiu com sucesso ao sonho americano. Esse discurso foi importado para o Brasil na intenção de fortalecer o preconceito contra as demais minorias, como os negros e os indígenas.
A ideia de minoria modelo reforça ainda mais os estereótipos em torno de pessoas amarelas.
A ideia da minoria modelo é problemática porque, ao mesmo tempo em que desconsidera a individualidade das pessoas amarelas e as pressiona a ter um comportamento específico, se baseia na meritocracia e no pensamento de que tudo é possível se você se esforçar. Ela ignora a herança cultural de países como China e Japão, lugares em que o acesso à educação de qualidade é incentivado pelos próprios governos. Quando esses povos migraram para o Brasil, levaram junto a valorização do estudo e a passaram de geração em geração.
O que parece ser um estereótipo positivo para os amarelos é mais uma forma de limitá-los sem que tenham qualquer controle sobre isso, além de reforçar estereótipos negativos sobre outros grupos étnicos. Para uma minoria ser modelo, ela precisa ser comparada a outras, principalmente a negra e a indígena. É como se a branquitude dissesse que os asiáticos são a minoria que ela gosta, a minoria “que deu certo”.
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É importante lembrar que amarelos só servem de minoria modelo para brancos quando correspondem aos estereótipos esperados deles. Um exemplo são as falas do presidente Jair Bolsonaro. Depois de inferiorizar o povo negro ao compará-lo ao asiático em 2017 (“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Porque é uma raça que tem vergonha na cara”), atacou a jornalista Thaís Oyama por ter escrito um livro que criticava seu governo três anos depois (“Esse é o livro daquela japonesa, que não sei o que faz no Brasil”).
Assim como a declaração de Bolsonaro sobre Oyama, essa expressão também é xenofóbica. Ela sugere que pessoas de origem asiática, incluindo as que nasceram e foram criadas no Brasil, sempre serão vistas como estrangeiras e como algum tipo de ameaça ao país. Assim, por não pertencerem à cultura daqui, deveriam ir embora. Esse pensamento explica principalmente a falta de representatividade amarela na mídia brasileira. 
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“Asiáticos não são vírus. Racismo é.”
Essa é uma expressão xenofóbica muito comum utilizada para debochar do sotaque e da forma que imigrantes asiáticos falam. Dita em tom de piada, ela diminui um grupo de indivíduos que historicamente luta para se encaixar em uma cultura e se adaptar a uma língua que não são as dele. 
Pessoas não amarelas costumam usar essa expressão para dizer que a fala de alguém é incompreensível. Mas, pensando bem, o chinês (no caso, o mandarim) realmente é mais difícil do que russo ou alemão para o brasileiro? Com certeza não. Todas essas línguas são igualmente distantes do português falado aqui, portanto, por que só o mandarim é tido como ininteligível?
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Essa fala parece inofensiva, mas está diretamente ligada a “Yellow Fever”, termo que descreve a fetichização dos corpos de mulheres e homens amarelos. Ambos são percebidos como femininos e exóticos demais em comparação ao padrão do homem branco.
As mulheres asiáticas são vistas como gueixas, submissas, tímidas e delicadas graças ao histórico de servidão sexual pelo qual foram obrigadas a passar por parte do exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto isso, os homens sofrem com o apagamento de sua masculinidade, sendo ridicularizados por supostamente terem o órgão sexual pequeno.
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Foto 1: Dia Dipasupil/Getty Images

Foto 2: Ketut Subiyanto/Pexels

Foto 3: AP
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