Discriminação racial nos EUA aumentou com impacto da covid-19 – Expresso

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13 janeiro 2022 13:24
Biden a discursar no dia 6 de janeiro, quando passava um ano do ataque ao Capitólio. Nesse dia o Congresso estava a tentar certificar precisamente a sua eleição, quando apoiantes de Donald Trump invadiram o edifício FOTO Getty Imges
A Human Rights Watch (HRW) afirma que as minorias étnicas continuam sujeitas a “estruturas abusivas de encarceramento, fiscalização da imigração e controlo social”
13 janeiro 2022 13:24
Os Estados Unidos continuam a violar direitos humanos em termos de justiça racial, tendo as injustiças aumentado com o impacto da pandemia de covid-19, acusa a organização Human Rights Watch (HRW) no seu relatório anual hoje divulgado.
“Os Estados Unidos continuam a não cumprir os seus compromissos relativos aos direitos humanos, principalmente na área da justiça racial, conforme se vê pelo fracasso do país em acabar com o racismo sistémico ligado aos legados da escravidão”, afirma a organização de direitos humanos no documento.
As minorias étnicas, acrescenta, continuam sujeitas a “estruturas abusivas de encarceramento, fiscalização da imigração e controlo social”, além de se manter uma desigualdade económica entre negros e brancos, que registou até “um leve aumento” em 2021.
No relatório, que analisa a situação dos direitos humanos durante o ano 2021 em cerca de 100 países, a HRW conclui que a covid-19 “aprofundou as injustiças raciais existentes na saúde, habitação, emprego, educação e acumulação de riqueza” das comunidades negras, latinas e nativas norte-americanas.
Estas comunidades “foram desproporcionalmente sobrecarregadas pelos impactos negativos” da pandemia, adianta.
Nota que a pobreza dessas comunidades registou “uma diminuição geral, devido a estímulo financeiros e auxílio no desemprego”, mas que a “diferença de riqueza entre negros e brancos ainda é tão grande como em 1968”.
Além disso, os “crimes de ódio contra pessoas de ascendência asiática e pessoas negras aumentaram significativamente em 2021 em comparação com os níveis de 2019”, sublinha a HRW.
Ainda assim, a organização admite que os Estados Unidos deram “passos positivos em matéria de direitos humanos” durante o ano passado, com a administração do Presidente Joe Biden e o Congresso a “defender os direitos das mulheres e lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais, que foram enfraquecidos durante a administração anterior”.
Esta melhoria confirma as esperanças avançadas pela HRW no relatório referente ao ano 2020, quando considerava que os quatro anos de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos tinham sido “um desastre” para os direitos humanos e manifestava esperança numa mudança de paradigma com Biden.
No entanto, mesmo com esta evolução positiva, a HRW critica não só a manutenção de um desequilíbrio racial no país, mas também que o país continue a registar a maior taxa de reclusos do mundo, com “quase dois milhões de pessoas detidas em prisões estaduais e federais e vários milhões em liberdade condicional”.
Também nesta matéria se notam discriminações raciais, indica a organização, referindo que “apesar de algumas reduções nas taxas de reclusão de pessoas negras, esta comunidade continua a ser amplamente maioritária nas prisões”.
As prisões, critica a HRW, “falharam em fornecer proteção suficiente contra a infeção por covid-19” e “um terço de todos os reclusos contraiu o vírus, tendo mais de 2.700 morrido”.
Além disso, a administração Biden também foi uma deceção para a HRW no que concerne às políticas de migração.
“Apesar das promessas feitas durante a campanha presidencial, a administração Biden manteve as políticas da era Trump, que negavam acesso a asilo nas fronteiras dos EUA”, refere o relatório.
A administração Biden expulsou mais de 750 mil migrantes alegando razões ligadas à saúde pública. Estas expulsões afetaram sobretudo negros, indígenas e latinos, particularmente da América Central, África e Haiti, que, segundo a HRW, foram alvo de “tratamento discriminatório”.
As expulsões “colocaram os migrantes em perigo, com milhares a serem sujeitos a sequestros, violações, agressões, extorsões e outros abusos”, aponta a organização.
FOTO: Getty Images
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